Tarifaço dos EUA coloca economia da Bahia em alerta e ameaça setores estratégicos

A Bahia pode enfrentar um dos mais graves impactos econômicos dos últimos anos com a entrada em vigor, no próximo dia 1º de agosto, do chamado tarifaço imposto pelos Estados Unidos. A medida, anunciada pelo governo do presidente Donald Trump, prevê uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano. O cenário preocupa empresários, produtores rurais e autoridades baianas, diante de projeções que apontam prejuízos superiores a R$ 2,6 bilhões em setores-chave da economia estadual.
Exportações em queda e risco de contratos suspensos
De acordo com estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Bahia poderá perder até R$ 404 milhões em exportações aos EUA, país que responde por 7,4% das vendas externas do estado. A indústria baiana, que projetava embarcar cerca de US$ 900 milhões em mercadorias para o mercado americano neste ano, poderá sofrer um corte de até US$ 470 milhões — uma retração que compromete contratos internacionais e coloca em risco centenas de empregos.
Fruticultura sob ameaça
O impacto se intensifica na fruticultura irrigada, especialmente no Vale do São Francisco, onde a produção de manga está entre as mais afetadas. Aproximadamente 60% das mangas baianas são exportadas aos Estados Unidos, e a falta de alternativas comerciais no curto prazo pode gerar uma redução de até 70% nas exportações, resultando em um prejuízo estimado de US$ 32 milhões (cerca de R$ 179 milhões). A medida ameaça diretamente o sustento de cerca de 7 mil trabalhadores rurais da região.
Setor pesqueiro estagnado
O segmento da piscicultura, outro pilar da economia baiana, também sente os efeitos da nova tarifa. Desde o anúncio do tarifaço, cerca de 1.160 toneladas de pescado estão retidas em portos como Salvador, Suape e Pecém, sem possibilidade de embarque para os EUA. A Bahia foi responsável por 11% das exportações brasileiras de peixe para os Estados Unidos em 2022, com destaque para a tilápia, cujas exportações somaram 174 toneladas em 2024, gerando receita de US$ 654 mil.
Indústria e logística impactadas
O Polo Industrial de Camaçari, principal centro industrial do estado, também deve ser fortemente atingido. O complexo abriga empresas dos ramos químico, automotivo, celulose, entre outros — todos com significativa participação no comércio exterior. A expectativa é de cancelamentos de embarques, redução de turnos e demissões em massa, à medida que a sobretaxa inviabiliza a competitividade dos produtos baianos no mercado americano e desorganiza a cadeia logística internacional.
Governo da Bahia reage
Em entrevista recente, o secretário da Fazenda da Bahia, Manoel Vitório, classificou o tarifaço como uma medida que “afeta profundamente a economia da Bahia”. Segundo ele, o governo estadual já está mobilizado em conjunto com a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) para monitorar os prejuízos e estruturar um plano de resposta.
Empresários do setor agroindustrial pressionam por ações imediatas, como linhas de crédito emergenciais, incentivos fiscais e apoio à realocação de mercados, especialmente para pequenos e médios produtores do semiárido baiano, onde o impacto pode atingir até 200 mil pessoas.
A Bahia enfrenta, portanto, um desafio de grandes proporções. A elevação das tarifas compromete a estabilidade econômica de setores inteiros e exige respostas rápidas, articuladas e eficazes, tanto por parte do governo estadual quanto do federal. Sem alternativas imediatas, a ameaça de colapso em cadeias produtivas regionais torna-se real, atingindo diretamente a economia, o emprego e a segurança alimentar de milhares de famílias baianas.