Prefeitura reforça luta contra violência doméstica com ação no CRAS Itinga II

Nesta sexta-feira (29/8), a sede do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) Itinga II, localizada na Rua Dinha Rodrigues, foi palco de um importante movimento de conscientização e combate à violência contra a mulher. Uma ação promovida pela Prefeitura de Lauro de Freitas, através da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e Cidadania (SEMDESC), reuniu dezenas de pessoas para um “grito” coletivo contra a violência doméstica, em alusão ao Agosto Lilás.
A sala lotada, majoritariamente por mulheres, mas também com a presença de homens, refletiu a dimensão coletiva do problema e a necessidade de engajamento de toda a sociedade. A campanha Agosto Lilás, instituída pela Lei Federal nº 14.448/2022, visa fortalecer a aplicação da Lei Maria da Penha, Lei nº 11.340/2006, que completou 19 anos em agosto.
O evento contou com palestras informativas de especialistas. A advogada Cintia Faleiros, presidente da Comissão da Mulher Advogada da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) local; e Vanessa Vale, do Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM) Lélia González, detalharam para o público os diferentes tipos de violência sofrido por mulheres em ambiente doméstico: física, psicológica, sexual, moral e patrimonial, além de reforçarem a importância dos canais de denúncia, como o Ligue 180.
A secretária da SEMDESC, Diana de Souza, participou do evento e enfatizou a urgência do tema. “Infelizmente, mesmo no mês de combate a essa violência, mulheres ainda são vítimas em nossa cidade. Precisamos romper o silêncio. Denunciem. Somos fortes e não merecemos passar por nenhum tipo de agressão”, discursou. “Aos homens presentes, peço: cuidem das mulheres ao seu redor, mães, irmãs, companheiras. Juntos, podemos quebrar estes paradigmas de violência doméstica”, frisou.
Nesta ação, a comunidade engajada virou protagonista. Para a coordenadora do CRAS Itinga II, Josenice Bastos, o evento foi mais do que uma palestra; foi a voz da comunidade ecoando. “Este é o nosso grito. Precisamos falar sobre as múltiplas violências que nos atingem, que vão muito além da física. Mobilizar a comunidade é o primeiro passo para a transformação, e a comunidade de Itinga sempre abraça as nossas ações. Estou feliz com esse espaço lotado”, afirmou.
Este sentimento de acolhimento e fortalecimento coletivo foi personificado no depoimento emocionante de Marilda Oliveira, de 40 anos, moradora da comunidade e integrante do grupo Maria Bonita, uma rede de apoio criada pelo CRAS. “O nosso grupo surgiu de uma necessidade de termos um porto seguro, um espaço para conversar, desabafar e fortalecer umas às outras. Discutimos sobre criação de filhos a o empreendedorismo, e o combate à violência é um tema central. Esta ação é um movimento de amor e empatia. Estarmos aqui hoje falando sobre esse tema é a realização de um sonho de anos”, disse Marilda, sob fortes aplausos. “Fui uma semente plantada pelo CRAS e hoje me sinto uma árvore grande e forte. Juntas, somos fortes.
A ação reforçou ainda a rede de proteção disponível no município e que a luta pelo fim da violência doméstica é um compromisso diário, que requer informação, coragem para denunciar e, acima de tudo, a união de toda a comunidade.