julho 30, 2021

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A COMUNICAÇÃO NÃO-VIOLENTA E A EFETIVAÇÃO DA DIGNIDADE HUMANA NO AMBIENTE ESCOLAR

A COMUNICAÇÃO NÃO-VIOLENTA E A EFETIVAÇÃO DA DIGNIDADE HUMANA NO AMBIENTE ESCOLAR

A formação do ser humano começa na família, e é continuada na escola, sendo ela o segundo espaço de socialização da pessoa em desenvolvimento. A maneira como tratamos essas pessoas em estágio inicial de formação repercutirá até os seus mais longínquos dias, nas suas escolhas pessoais e, sobretudo, na forma de lidarem com as adversidades.

Dentre os desafios naturais à vida em sociedade estão os conflitos interpessoais. Pois bem: a forma como lidamos com os conflitos desde a mais tenra idade do ser humano terá papel fundamental na forma como ele se portará diante das controvérsias da fase adulta. Por esse motivo é tão importante compreendermos quais os conflitos existentes no ambiente escolar, e como podem ser vistos e tratados, na perspectiva de colaborar com uma formação humanística integral da pessoa humana.

O desenvolvimento da pessoa, em toda a sua potencialidade, é pressuposto para se efetivar, no tecido social, o princípio fundamental da dignidade humana.Conceito multiforme historicamente falando, pós Segunda Guerra Mundial, a dignidade passou a ser o âmago da maior parte das Cartas Políticas ao redor do mundo, incluído o Brasil. É um conceito, mas também é uma ação: fazer valer a própria dignidade deveria ser a meta pessoal de cada cidadão livre.

A dignidade humana está intimamente relacionada com a autonomia da vontade, com a liberdade individual e com a autorresponsabilidade – facetas/expressões/características fundamentais ao ser humano que vão sendo desenvolvidas desde a primeira idade. A forma de lidar com conflitos interpessoais já na escola contribui decisivamente para a forma de se portar diante de controvérsias na vida adulta.

A repreensão pura e simples de atitudes indesejadas não logra frutos a longo prazo, e sofreremos as consequências da diminuição da boa vontade daqueles que se submetem a nossos valores pela coerção que vem de fora. Isso se vê no contexto escolar e na vida. Numa cultura punitiva tradicional, os alunos pagam um preço emocional, pois, provavelmente, sentirão ressentimento, e menos autoestima quando reagirem a nós por medo, culpa ou vergonha.

No ambiente escolar os conflitos podem envolver de diretores a pais de alunos; porém, no presente artigo cuidaremos dos conflitos envolvendo professores e alunos, a forma de enxergarmos tais conflitos, as consequências da práxis ordinária na sua administração, e as possibilidades de tratamento adequado pela Comunicação Não-Violenta. Diante disso, este artigo objetiva explorar os benefícios da Mediação de Conflitos no ambiente escolar.

E é aqui se faz a pergunta-chave deste artigo: com uma cultura punitiva frente aos conflitos do dia a dia, a escola estará ajudando o ser humano em seu desenvolvimento? Não estará mantendo o paradigma de uma autoridade que sanciona, e de uma pessoa que obedece sem entender, por medo da punição? Será que é assim que formamos cidadãos livres, conscientes e respeitosos uns com os outros? Até que ponto corrigir sem educar verdadeiramente colabora com uma sociedade inconsciente de suas próprias capacidades, e respeitosa com a alteridade?

Esses, e outros questionamentos trazemos aqui, certos de que a Comunicação Não-Violenta é um método que gera compaixão, que conecta as pessoas, que, em função disso, tem desejo de se tratar com respeito. É geradora de autorresponsabilidade, autonomia e dignidade, efetivando, desde a mais tenra idade, os valores constitucionais de uma sociedade livre, fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida com a solução pacífica das controvérsias.

Por Lizandra Colossi Oliveira. Advogada, Mediadora Extrajudicial, Presidente e Cofundadora da Comissão de Mediação, Arbitragem e Práticas Colaborativas da OAB/BA – Subseção Lauro de Freitas. Sócia-Fundadora do Colossi Oliveira Advogados Associados, e do Mediar é Somar. Mestranda em Direitos Fundamentais e Alteridade pela Universidade Católica do Salvador.[email protected] / @lizandra_colossi no Instagram.

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