maio 30, 2020

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Brasil atrasou epidemia mas deve sofrer colapso como Itália, Espanha e EUA

Brasil atrasou epidemia mas deve sofrer colapso como Itália, Espanha e EUA

As medidas de isolamento social impostas em boa parte dos estados brasileiros quando ainda havia poucos casos confirmados do novo coronavírus se mostraram eficientes para atrasar a propagação da infecção, mas o relaxamento da quarentena ameaça antecipar um colapso nos sistemas de saúde de diversas cidades do país.

O colapso se consolida quando a capacidade de internação hospitalar nos hospitais públicos chega ao limite. Estratégias como ampliar leitos de UTI, construir hospitais de campanha, transferir pacientes para outras cidades e assumir o controle de leitos de hospitais públicos têm sido feitas no país.

Cauteloso em comparar o número de casos confirmados entre países, Chebabo explica que há uma imensa subnotificação e falta de transparência nos testes realizados, o que impede a população brasileira de saber o verdadeiro cenário da doença.

Dos países mais afetados, o Brasil é um dos que menos estão testando a população. São 296 testes a cada um milhão de habitantes, ao passo que a Itália registra 20 mil testes a cada milhão, a Espanha, 19 mil testes a cada milhão e os EUA, 10 mil testes por milhão.

Uma projeção do Núcleo de Operações e Inteligência em Saúde (Nois), da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, avaliou que os registros oficiais da doença no Brasil representam apenas 8% do número real de casos. Segundo os dados coletados pelos pesquisadores, os índices verdadeiros seriam até 12 vezes superiores.

“Não precisa comparar número. A gente vê a velocidade da curva subindo cada vez mais rápido, não só nos números, que triplicam a cada dia, mas nos hospitais, que estão cada vez mais lotados”, afirma Chebabo.

Essa lógica pode ser entendida em um gráfico comparando o acréscimo de casos dia a dia do Brasil, Itália e Espanha. Depois que os países passaram da marca dos dez mil casos confirmados, o crescimento passou a ser exponencial.

O Brasil, que tem duas semanas a menos de vírus circulando, desenha o mesmo caminho. Em menos de uma semana, o país duplicou o número de óbitos, de mil na última sexta-feira, 10, para 2 mil nesta sexta-feira, 17. Os Estados Unidos seguem na mesma lógica, mas não foram incluídos no gráfico a seguir para fins de visualização, uma vez que o país já registra 700 mil infectados.

Caos no sistema público

Com a curva ascendente, o principal desafio para o sistema de saúde é atender a necessidade de leitos de internação. Ao contrário de outras síndromes respiratórias, a covid-19 pode manter um paciente em estado grave durante 14 dias, com isso reduzindo a possibilidade de rotação das camas hospitalares.

O infectologista Alberto Chebabo está na linha de frente da operação que vai ampliar de 12 para 70 os leitos destinados a pacientes com covid-19 no hospital da UFRJ. Em sua avaliação, “esse número [de leitos] para o Rio de Janeiro é uma gota”. O estado carioca, que tem mais de 4 mil infectados e 341 óbitos, já tem ao menos 74% dos leitos de UTI ocupados, segundo informações mais recentes.

Já São Paulo, que registra 12,8 mil casos confirmados e 928 mortes, tem pelo menos sete hospitais da capital operando com a capacidade de leitos de UTI acima dos 70%. Nesta sexta, um dos mais importantes para o tratamento, o hospital Emilio Ribas, chegou ao colapso ao completar o uso de todas as suas 30 vagas. 

Essa, inclusive, foi a semana com o maior número de óbitos em SP: 320 novas mortes desde a segunda-feira, 13, o que representa uma morte a cada meia hora, em média.

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