Um mesmo paciente pode ser infectado por duas variantes do coronavírus ao mesmo tempo. De acordo com o UOL, a novidade foi resultado de um estudo realizado pela Universidade Feevale, de Novo Hamburgo-RS, em parceria com o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), de Petrópolis-RJ. Foram selecionadas 92 amostras de pacientes com faixa etária de 14 a 80 anos de idade, sendo 50% homens e 50% mulheres.
Pesquisadores do Laboratório de Bioinformática (Labinfo) do LNCC realizaram o sequenciamento genético das amostras e caracterizaram cinco linhagens diferentes que estão circulando no Rio Grande do Sul, sendo uma nova, a princípio denominada VUI-NP13L, e dois casos de coinfecção.
“Os pesquisadores também estão conduzindo experimentos in vitro na nova linhagem encontrada no estado, incluindo isolamento viral e investigação sobre neutralização ou não por anticorpos presentes no soro de pacientes infectados e recuperados”, informa nota da Feevale.
Com a pesquisa, foi possível confirmar que a disseminação generalizada da variante E484K na proteína Spike. “Isso é preocupante, pois sabe-se que essa mutação pode estar associada a um escape de anticorpos formados contra outras linhagens do vírus. É mais uma evidência que essas novas linhagens podem causar problemas mesmo em pessoas que já tenham uma imunidade prévia”, afirmou Fernando Spilki, professor da universidade.
Sobre a coinfecção, que é uma infecção simultânea por vírus com genomas distintos em um mesmo indivíduo, o estudo encontrou dois casos ocorridos em novembro. Sendo a Feevale, a coinfecção com a variante E484K não havia sido descrita até o momento.
“A preocupação é porque a mistura de genomas de diferentes vírus coinfectando o mesmo indivíduo, a chamada recombinação, é um dos fenômenos que está na base da evolução de coronavírus”, explica a Feevale. Apesar da preocupação com os casos, a instituição relata que os dois pacientes contraíram uma forma leve a moderada da Covid-19 e se recuperaram sem a necessidade de hospitalização.






