abril 14, 2021

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Eleição mais pobre, cidade mais limpa

Eleição mais pobre, cidade mais limpa

Se eleição é mesmo a festa da democracia, essa, por enquanto, anda meio esvaziada. Quem estava acostumado com campanhas barulhentas, cheias de bandeirinhas, santinhos e agitação em ruas e praças, já notou a diferença.

A reportagem visitou alguns endereços que, nas eleições de 2012, eram repletos de “vida eleitoral” – mas que hoje não guardam vestígios de nenhuma disputa.

A nova legislação e a falta de recursos e de interesse são as explicações mais plausíveis para esse fenômeno.

Em 2012, a BA099, também conhecida como Estrada do Coco, estava enfeitado com cavaletes e bandeirinhas dos centenas de candidatos.

Não era difícil encontrar militantes panfletando ou pisar em algum santinho. Hoje, só grama ocupa a área.

“Na época (2012), ganhei um dinheiro distribuindo papelzinho de vereador e segurando bandeira na Estrada do Coco. Dessa vez, não apareceu ninguém oferecendo nada”, afirmou o morador de Portão Antônio Jesus, de 45 anos.

Outra local em Lauro de Freitas que respirava eleição há 4 anos era a avenida Luis Tarquínio. Nessa avenida concentrava-se a propaganda política de diversos vereadores que mantinham escritórios e comitês políticos na região.

Ao circular pelo local, o cidadão era afogado por bandeiras e cavaletes e muito material dos já citados vereadores.

“Nem parece que vai ter eleição neste ano, né? Moro aqui perto e vivia reclamando da bagunça. Dessa vez, quase não se encontra nada. De vez em quando, aparece um gato pingado com uma bandeira”, comenta a dona de casa Fátima Loureço Dias, 52 anos.

Os pedestres sofriam e a paisagem urbana era totalmente comprometida. E hoje?

“Se você não me falasse dos cavaletes, eu nem ia lembrar que eles existiram. Era impossível andar nas calçadas por causa deles”, lembrou o comerciante Jorge Assis.

Regras

Não foi por consciência urbanística que nossos candidatos diminuíram suas ações de rua. A lei eleitoral sofreu alterações significativas.

Foi vedada pichação, inscrição a tinta, colocação de placas, faixas, estandartes, cavaletes, bonecos e peças afins em locais em que o uso dependa de permissão do poder público, ou que a ele pertençam.

Também foi proibido ao candidato ou comitê distribuir na campanha brindes, camisetas, chaveiros, bonés e etc. Soma-se a tudo isso o mais importante: o dinheiro diminuiu.

As doações de pessoas jurídicas foram proibidas e os recursos para gastar com propaganda ficaram mais modestos.

Em 2012, os dois candidatos que hoje também estão na disputa fizeram campanhas onerosas.

Uma eleição “quase secreta” pode ter um efeito positivo. Uma eleição assim vai obrigar o eleitor a pesquisar mais, prestar mais atenção e tentar se informar melhor.

A frieza desta eleição municipal tem suas raízes na superexposição das questões nacionais, como impeachment, Lava Jato e até Olimpíada.

“A atenção está diluída. Talvez o quadro mude na última semana. Esta é uma eleição diferente, este é o fato.

Que vençam os melhores (para o povo).

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