Especialista aponta motivos para serviço precário e falhas no sistema ferryboat

 Especialista aponta motivos para serviço precário e falhas no sistema ferryboat

Só em 2023, foram registradas duas colisões entre embarcações do sistema ferryboat da Bahia que causaram pânicos em passageiros. No primeiro dia de 2024, o Ferry Rio Paraguaçu sofreu uma pane elétrica e ficou à deriva por poucos minutos. Apesar de serem episódios recentes, os problemas apresentados pelo transporte marítimo administrado pela Internacional Travessias (IT) datam de muito tempo e não se restringem a problemas operacionais.

Segundo Paulo Ormindo, professor da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e conselheiro do Instituto de Arquitetos da Bahia (IAB), os motivos para a precarização do serviço prestado pelos ferries no estado decorrem da falta de cuidado com a manutenção das máquinas. “A empresa transforma o ferryboat em almoxarife, tirando as peças de uma embarcação que apresentou defeito para colocar em outra, e assim por diante. Então, a durabilidade dos ferries na Bahia é curtíssima”, afirma.

Nesta quinta-feira (4), a IT estava operando apenas com quatro modais, sendo eles o Zumbi dos Palmares, Ivete Sangalo, Maria Bethânia e Pinheiro. Procurada pela reportagem para informar qual o total de embarcações à serviço da empresa, o total que está sendo operado e a quantidade que está parada, a empresa não respondeu. O CORREIO também quis saber da IT quais os problemas estruturais dos ferries e o motivo para o serviço ser tão precário, mas também não obteve resposta.

Para Paulo Ormindo, duas questões centrais na apresentação recorrente de problemas no sistema do transporte marítimo é a falta de demanda durante toda a semana e a falta de transportes alternativos. “A companhia só coloca os ferryboats que dispõem no sábado e no domingo porque é o momento de maior demanda. No resto da semana, as viagens têm um espaço muito maior. Outra questão fundamental é que o ferryboat acabou com a navegação pública na Baía de Todos os Santos”, aponta.

Sem transportes alternativos de média ou grande capacidade para realizar a travessia não só para Itaparica, mas também para outras ilhas e portos, outro problema que sobrecarrega o sistema do ferryboat é a falta de estruturação de um terminal de ônibus de qualidade em Bom Despacho, conforme defende o especialista. Na sua visão, se houver um terminal com opções de destinos diversos e com garantia de conforto para os passageiros, consequentemente existirá redução de pessoas tentando fazer a travessia de carro – o que ocasiona longas filas. Mas, para tanto, seria necessário primeiro o investimento em um sistema intermodal, que descentralize a demanda no ferryboat.

“É preciso ter uma visão maior do que achar que o ferryboat vai resolver tudo. Quando foi instalado, ele chegava a ir até Maragogipe, depois foi reduzido somente à Ilha de Itaparica, então não há mais na Baía de Todos os Santos nenhum sistema de navegação interno. Pontos da Baía de Guanabara, do outro lado do Rio de Janeiro, são servidos por barcas de passageiros, onde leva bicicletas e tem lá também, naturalmente, um sistema de táxi e veículos coletivos. Mas isso não está organizado na Bahia por conta de uma visão muito tacanha, medrosa e limitada”, ressalta.

A Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba), entidade que regula e fiscaliza o Ferryboat, foi procurada para se posicionar sobre a multa aplicada à IT em razão dos problemas recorrentes com o modal, explicar o motivo de existirem tantas queixas de passageiros que fazem uso do ferry e informar quais ferries estão à disposição da IT e quantos deles estão em serviço. A Agerba não respondeu.

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