Estudantes de Camaçari vão representar o Nordeste em competição da NASA

 Estudantes de Camaçari vão representar o Nordeste em competição da NASA

Uma equipe composta por 11 crianças e adolescentes, com idade entre 12 e 18 anos, irá representar Camaçari, a Bahia e o Nordeste em uma Competição Internacional de Exploração Espacial, nos Estados Unidos. Os estudantes ganharam destaque após desenvolverem projetos inovadores que contemplam as áreas de robótica, engenharia e meio ambiente. Batizado de “A Expedição”, a iniciativa levará os jovens para a NASA Human Exploration Rover Challenge (HERC) – um desafio anual que incentiva discentes a projetar e construir veículos humanizados.

Com o intuito de valorizar a ciência, a tecnologia e a inovação, além de reafirmar a prioridade do município com a Educação Básica Pública, a gestão municipal recebeu o grupo na sala de reunião da Secretaria de Governo (Segov). Na oportunidade, o prefeito Luiz Caetano enfatizou a alegria de vivenciar esse momento tão importante para o município.

“Vocês estão dando uma lição, um exemplo. É um orgulho muito grande para nós, uma iniciativa fantástica para a cidade. Seremos representados pela força da nossa gente. Esses jovens desenvolveram um projeto incrível e agora vão levar todo esse conhecimento para os Estados Unidos, competindo com times do mundo inteiro. Esses jovens são a prova de que estamos no caminho certo. Investir em educação faz toda a diferença na vida das pessoas”, pontuou o gestor municipal.

A competição acontece neste mês de abril e irá reunir mais de 100 equipes de diversos países. O desafio é construir um rover, veículo de exploração espacial capaz de percorrer terrenos semelhantes aos da Lua e de Marte. A maioria dos estudantes são oriundos do Centro Territorial de Educação Profissional da Região Metropolitana (CETEP-RM).

Ansioso, Gabriel Silva, 17 anos, falou sobre algumas etapas da competição. “No total, passamos por duas modalidades: a Remote Control, que é RC, e a Human Power, que é HP. Nós passamos na modalidade RC e somos a primeira equipe nordestina, a primeira equipe baiana e a primeira equipe de Camaçari a ir para essa competição”, iniciou o jovem morador do bairro Lama Preta. Na sequência, ele revelou que a inspiração para seguir no mundo tecnológico veio do pai. “O meu pai é técnico em mecatrônica. Então, essa paixão veio de família”, acrescentou Gabriel.

Para Ana Luiza Santana, 18 anos, que também carrega como referência o pai, a experiência irá expandir horizontes, contemplando vivências culturais e crescimento tanto profissional quanto pessoal. “Eu imagino que vamos aprender muitas coisas novas coisas. A gente vai ter experiência com novas línguas, sentir o impacto de uma nova cultura e, principalmente, aprimorar a nossa área, o ramo da róbotica, da tecnologia. Espero voltar com uma carga intelectual muito maior. Meu sonho é abrir portas para levar mais pessoas para realidades como essa que estou tendo a oportunidade de vivenciar”, afirmou.

Moradora de Camaçari há 15 anos, a jovem deixa um recado motivacional para os estudantes, reforçando valores e assegurando a importância de manter vivo os sonhos. “Que os jovens, como eu, possam continuar se esforçando, mesmo quando as coisas não estiverem dando tão certo. A gente mesmo precisou arriscar, iniciamos com um projeto pequeno e, agora, estamos aqui, nesse outro projeto de tamanho maior. Então, é um caminho que precisa ser trilhado. Não importa se a escola oferta curso técnico ou não. Se existe o sonho, o desejo, tem que tentar, correr atrás. As competições estão aí, tem todos os anos, qualquer um pode participar”, encorajou Ana Luiza.

João Theo, de 13 anos, é um dos mais jovens da equipe. O garoto, que atualmente está cursando o 8° ano do Ensino Fundamental no SESI Camaçari, destacou a curiosidade como fator determinante para enveredar nos caminhos da alta tecnologia. “Ir para a NASA é algo que, só de você ouvir falar, já faz o coração bater mais forte. Eu sempre fui muito curioso, desde pequeno sempre gostei de tecnologia, de saber como funcionavam os brinquedos, por exemplo. Posso dizer que essa característica, a curiosidade, me fez ir além e chegar até aqui”, contou Theo.

Além da torcida, os camaçarienses podem ajudar a equipe na ação de engajamento, que também vale pontuação, conforme lembra a pedagoga e especialista em planejamento territorial, políticas públicas e sustentabilidade, Aliane Grei. Ela atua na Secretaria de Planejamento do Estado da Bahia e coordena a Expedição NASA e Maryland 2025, sendo responsável pela articulação institucional e planejamento estratégico.

“Vamos competir também na categoria de ‘Melhor Engajamento’. Por isso, a gente precisa que toda a sociedade camaçariense comece a seguir a nossa página no Instagram, que é o @expedicao.ba. Quanto mais pessoas seguem, comentam, compartilham e interagem conosco, mais chances de sermos premiados por esse relacionamento com a comunidade. Quero também frisar aqui que, ao longo dos nossos projetos, nós realizamos diversas oficinas com a presença e a participação de doutores na área de economia espacial, de fisiologia espacial, entre outros temas. É, sem dúvidas, um projeto de amor por nossos estudantes e pela evolução da educação no nosso município. A palavra de sempre é gratidão”, elucidou Aliane.

O projeto conta com o apoio da União das Organizações Sociais e Culturais de Camaçari (Uoscc), localizada no bairro da Gleba C.

*Veja, a seguir, a lista com os nomes dos 11 estudantes que irão vivenciar a experiência:*

• Leandro Pereira Moraes – 3° ano, Eletrotécnica (CETEP RM)

• Ana Luiza Cajazeira Santana – 3° ano, Mecatrônica (CETEP RM)

• Felipe Ferreira Carneiro Silva – 3° ano, Mecatrônica (CETEP RM)

• Murilo Bastos Sousa Teixeira – 1° ano, Mecatrônica (CETEP RM)

• Karen Camille Dos Santos Melo Goes – 8° ano, (CARPE DIEM GLEBA E)

• Lyriel Oliveira Santana – 2° ano B, Mecatrônica (CETEP RM)

• Gustavo Douglas Costa Santos – 2° ano, Mecatrônica (CETEP RM)

• Gabriel da Silva Gomes da Cunha – 3° ano, Mecatrônica (CETEP RM)

• Dara Ribeiro dos Santos e Santos – 3° ano, Mecatrônica (CETEP RM)

• Débora Rodrigues Lima – 2° ano, Mecatrônica (CETEP RM)

• João Theo Alvino Ribeiro – 8° ano, Fundamental (SESI Camaçari)

*Confira, em seguida, os nomes dos monitores:*

• Flávio Rafael Santana Brito de Oliveira (21 anos) – Graduando em Física pela UFBA, técnico em Análises Clínicas e coautor de estudos científicos.

• Teobaldo Ribeiro da Silva Júnior (43 anos) – Analista de sistemas e monitor de design, com experiência em tecnologia da informação e automação industrial.

• Michell Thompson Ferreira Santiago (34 anos) – Engenheiro e doutor em engenharia de projetos, mentor no desenvolvimento técnico do rover.

• Matheus Moreira – Estudante de Engenharia Mecânica da UFBA (1º semestre), mentor de engenharia e engajamento social.

Foto: William Rocha

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