A Praia de Buraquinho, em Lauro de Freitas, tornou-se palco de devoção, cultura e tradição durante as celebrações da Festa de Iemanjá nesta segunda-feira (2/2). No local, a comunidade, turistas, povos de matriz africana e pescadores se reuniram em um dia dedicado às homenagens. O sol forte e o cheiro de flores e alfazema no ar foram o cenário da celebração considerada uma das maiores manifestações religiosas e culturais da Bahia e também do município.
Em Lauro de Freitas, ao longo da manhã, fiéis participaram de rituais religiosos, cortejos e se prepararam para a entrega dos presentes, que serão levados ao mar por embarcações conduzidas pelos pescadores da Colônia Z-57 de Buraquinho, à tarde. Anderson Santana de Assis, conhecido popularmente como Pepi, presidente da colônia, falou do processo de organização da festa. “Essa tradição de Iemanjá vem há cerca de 100 anos, e movimenta a região. Os pescadores, junto com as marisqueiras e os terreiros fazem suas homenagens. É uma festa bonita, organizada e em harmonia”, definiu.
A Prefeitura de Lauro de Freitas realiza o evento em parceria com o Conselho Municipal de Política Cultural e a Colônia de Pescadores Z-57. O vice-prefeito do município e titular da Secretaria Municipal de Cultura, Lazer, Juventude e Esporte (SECULJE), Mateus Reis, destacou a ação conjunta que une cultura e religiosidade do povo de Santo. “A Prefeitura de Lauro de Freitas é parceira do evento, oferecendo todo o apoio necessário e realizando uma escuta prévia junto ao povo de Santo e à colônia de pescadores, em um diálogo permanente. De forma institucional, por meio da SECULJE e de diversas outras secretarias aqui presentes, a gestão também atuou na organização e na estrutura do evento. Todos os terreiros receberam seus kits, garantindo uma festa bonita e organizada. Isso demonstra que a prefeitura está presente para respeitar as tradições e fazer a cultura acontecer em todos os pontos da cidade.”
Com mais de 20 anos de realização no município, a festa reforça o compromisso da gestão com a preservação das tradições populares e religiosas. Para Margeoire Mendes, titular da Secretaria Municipal da Mulher, Políticas Afirmativas, Direitos Humanos e Promoção da Igualdade Racial (SEMPADHIR), o evento reconhece a identidade cultural e a diversidade brasileira. “Este momento fortalece nossos laços comunitários, promove o respeito e reafirma o compromisso da gestão com políticas que valorizem a cultura, a equidade racial e os direitos humanos”.
Para quem trabalha e vive na região, o dia foi especial. Josiane de Queiroz, de 47 anos, trabalha na Barraca Praia do Sol, ao lado da mãe, Marlene, que é comerciante no local há 44 anos. “Há quatro anos começamos a vender as flores neste dia. Com isso, fortalecemos a tradição, aumentando a renda da família. A gente vende também uma deliciosa feijoada todos os anos e bebidas. Esse movimento é importante para as nossas vendas e fico feliz em ver esse espaço cheio em plena segunda-feira”. Já Susan, de 50 anos, moradora de Vilas do Atlântico, destaca que a festa na cidade é tranquila e preserva as tradições. “É o segundo ano que eu venho aqui em Lauro de Freitas, eu ia em Salvador antes. Aqui é raiz, tranquilo, não precisa pegar filas grandes é bem família”.
O Xirê, ato religioso, e a entrega dos presentes está prevista para ocorrer à tarde, em razão da tábua de maré, garantindo segurança e condições adequadas para a realização do ritual, marcando o momento mais simbólico das homenagens. O evento contou com apresentações de charanga e bandas e à tarde segue com Samba Jorge da Gomeia e Banda Zirig, que encerram o clima festivo do dia.






