julho 05, 2020

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Hidroxicloroquina não impediu infecção por Covid, aponta estudo com 821 pessoas

Hidroxicloroquina não impediu infecção por Covid, aponta estudo com 821 pessoas

Um estudo sobre os efeitos da hidroxicloroquina no tratamento de pessoas infectadas por Covid-19 mostra que a aplicação do medicamento não mostrou nenhum tipo de benefício. Os resultados da pesquisa foram divulgados nesta quarta-feira (3) pelo The New England Journal of Medicine, uma das principais revistas científicas de medicina no mundo. 

Considerado o primeiro estudo controlado acerca da hidroxicloroquina, a pesquisa mostra que o medicamento utilizado contra a malária não impediu a infecção pela Covid-19. Realizado no Canadá e nos Estados Unidos, o ensaio clínico contou com a participação de 821 pessoas, incluindo profissionais de saúde e indivíduos expostos a cônjuges ou familiares infectados pelo vírus. 

Dentro de quatro dias após a exposição, os participantes – com faixa etária entre 33 e 50 anos – foram escolhidos de modo aleatório para receber o tratamento com a hidroxicloroquina ou um placebo. Após esse processo, era necessário confirmar a infecção por Covid-19 em um laboratório durante os próximos 14 dias.

O estudo constatou que não houve uma diferença relevante entre aqueles que receberam o tratamento com placebo e os que utilizaram o medicamento. Dos 414 participantes que usaram a hidroxicloroquina, 49 ficaram doentes (11,8%). No grupo do placebo, composto por 407 pessoas, 58 adoeceram (14,3%). Estatisticamente, a diferença entre as taxas não foi significativa.

Em um editorial, a revista afirmou que a interrupção da disseminação do vírus depende de uma série de fatores. “O SARS-CoV-2, vírus que causa a Covid-19, gerou uma pandemia mundial. A interrupção de sua disseminação depende de uma combinação de intervenções farmacológicas e não farmacológicas. A prevenção inicial da doença inclui medidas como distanciamento social, uso de máscaras faciais, higiene ambiental e lavagem das mãos.”

O The New England Journal of Medicine também disse que “alguns pesquisadores promoveram cloroquina e hidroxicloroquina para o tratamento e prevenção de doenças de várias doenças, incluindo a Covid-19″. Alguns estudos observacionais apontaram benefícios da hidroxicloroquina para o tratamento do novo coronavírus, enquanto outros relatórios de tratamento descreveram resultados mistos”.

A revista científica afirmou que os medicamentos utilizados para prevenção e tratamento de doenças devem possuir um “excelente perfil de segurança”. No caso da hidroxicloroquina, no entanto, o risco de efeitos colaterais, incluindo complicações cardíacas, fez com que a segurança do remédio fosse questionada.

“Quando a hidroxicloroquina foi inicialmente promovida como uma possível solução para a infecção pelo novo coronavírus, a segurança do medicamento precisou ser reforçada. Porém, em um exame mais minucioso, o potencial de efeitos colaterais cardíacos e resultados adversos gerais foram destacados, especialmente em pessoas com comorbidades, fator que aumenta o risco da doença”, escreveu.

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