Israel aumenta ataques em Gaza após trégua e volta a ordenar deslocamento de civis

 Israel aumenta ataques em Gaza após trégua e volta a ordenar deslocamento de civis

Gaza voltou a ser palco de intensos ataques aéreos após a semana de cessar-fogo negociada entre Israel e o Hamas acabar.
Neste sábado (2), as Forças de Defesa de Tel Aviv voltaram a pedir que a população da faixa palestina esvazie áreas ao norte e também ao sul que estão prestes a serem bombardeadas pelos militares.
Agora, o aviso vem de maneira diferente. Porta-vozes do Exército estão divulgando um mapa do território local com divisões por quarteirões e marcações naqueles que serão alvos de ataques aéreos.
Israel afirma ter atacado ao menos 400 alvos em Gaza em apenas um dia após o fim da trégua e que realizou ataques a infraestruturas e equipamentos usados pela força naval do Hamas no litoral de Khan Yunis, ao sul da Faixa de Gaza, no mar Mediterrâneo.
Enquanto isso, ao menos 193 palestinos morreram e 650 ficaram feridos na faixa desde o fim da trégua na manhã de sexta-feira (1º) até a manhã de sábado, segundo balanço divulgado pelo Ministério da Saúde em Gaza, atrelado ao Hamas, que governa o território.
Até meados da semana, o número total de mortos na região superava 15 mil, mas o balanço não foi atualizado desde o fim do cessar-fogo.
Autoridades palestinas divulgaram ainda novo balanço de mortos na Cisjordânia ocupada, região que assiste à violência escalar nesta guerra. Com o falecimento de um homem de 21 anos em Beitunia após embates com forças de Israel, o número de mortos teria chegado a 247 desde 7 de outubro. Desde o início deste ano, seriam 455.
Em território qatari, emirado que é um dos principais mediadores do conflito, chefes do Mossad, o serviço secreto de Israel, estiveram presentes neste sábado para conversas sobre um possível novo cessar-fogo. Mas voltaram para casa afirmando terem chegado a um “beco sem saída” e culparam o Hamas de não colaborar ao não libertar todas as mulheres e crianças que foram sequestradas do sul israelense.
Enquanto isso, também na manhã desta sábado caminhões de ajuda humanitária voltaram a cruzar a passagem de Rafah, entre Egito e Gaza, com suprimentos para a população que reside na faixa palestina.
O anúncio foi feito nas redes sociais pelo Crescente Vermelho, versão da Cruz Vermelha em regiões de maioria muçulmana, que afirma que ao menos 50 caminhões cruzaram o posto de controle. Eles continham alimentos, água e suprimentos médicos para os palestinos.
A ajuda enviada por meio da fronteira egípcia, considerada crucial diante do bloqueio que vive Gaza, foi brevemente interrompida nesta sexta-feira depois que Israel e facções que atuam na faixa, como o Hamas, retomaram ataques mútuos após o fim do cessar-fogo.
Israel troca ataques com Hezbollah e Guarda Revolucionária do Irã
Em paralelo, a região também registrou ataques mútuos entre militares israelenses e membros do Hezbollah na fronteira do país com o Líbano.
No Telegram, as Forças de Defesa de Israel disseram que na noite de sexta (1º) mapearam diversos lançamentos provenientes de território libanês com direção à comunidade de Dishon, no norte do país. Em resposta, dizem ter realizado ataques contra a cédula responsável.
Apoiado e financiado pelo Irã, o Hezbollah disse que ao menos dois de seus homens morreram em combate. Já a Unifil, a missão de paz das Nações Unidas que desde o final da década de 1970 atua no sul libanês, disse que os bombardeios de Israel atingiram áreas próximas a sua sede na cidade costeira de Naqoura, mas não falou em feridos.
Teerã também afirmou que dois membros de sua Guarda Revolucionária –espécie de exército ideológico iraniano– morreram em meio a ataques de Israel durante uma “missão de assessoramento à resistência islâmica” na Síria, sem dar detalhes.
Somados, os episódios expressam novamente o temor de que a atual guerra que se desenrola entre o Hamas e Israel no território de Gaza escale para um conflito regional que envolva mais nações árabes.
A principal preocupação gira em torno da possível abertura de um conflito armado contra o Irã, que luta uma espécie de guerra por procuração apoiando o Hezbollah libanês em seus ataques contra Israel.

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