junho 17, 2019

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Mais de 1.400 mulheres foram atendidas pelo Centro de Referência Lélia Gonzalez em 2018

Mais de 1.400 mulheres foram atendidas pelo Centro de Referência Lélia Gonzalez em 2018

Na entrada do Centro de Referência Lélia Gonzáles (CRLG), em Lauro de Freitas, a palavra sororidade pintada no chão estampa a missão do equipamento que de janeiro a outubro do ano passado atendeu 1.449 mulheres vítimas de alguma forma da violência doméstica.

 Apesar de cercado de leveza pela presença da natureza e de ter suas paredes tingidas na cor lilás, símbolo mundial da luta das mulheres por igualdade de direitos entre os gêneros, acolhe histórias tristes de longos anos de abusos e direciona para que novos capítulos de resistência e superação sejam escritos na vida das assistidas. 

De acordo com a coordenadora do CRLG, Sule Nascimento além dos serviços de assistência psicológica, social, pedagógicas e de orientações jurídicas, uma rede de atendimento foi incorporada nos últimos dois anos para abranger e otimizar o acolhimento das mulheres que buscam o auxílio do equipamento. 

“Trabalhamos em transversalidade com algumas secretarias municipais a exemplo da saúde, social, trabalho e educação. As necessidades são muito vastas e ao mesmo tempo individuais. Muitas chegam aqui com filhos menores fora da escola e já saem com este encaminhamento; o mesmo acontece para aquelas que precisam de atendimento médico ou social com apoio dos Creas e Cras”, explica.

Implantado no município há quase 13 anos, as assistidas no CRLG com medida protetiva contam desde março de 2018 com a Ronda Maria da Penha para a mulher que precisa ser acompanhada pela viatura da guarnição até sua residência e assim fazer valer as determinações judiciais. 

“Há mulheres que precisam retirar seus pertences das residências e preferem ser acompanhadas, ou em outros casos. É destinada pelo juiz para a mulher e seus filhos e a polícia retira, se necessário, o agressor resistente da residência”, completa Sule.

A pedagoga Simone dos Anjos explica que muitas mulheres aprendem a identificar os diferentes tipos de violência a partir das atividades desenvolvidas no Centro. “Às vezes o processo de agressões inicia anos antes até chegar a violência física propriamente dita. Muitas só conseguem reconhecer o tapa como agressão quando ela pode ser também psicológica, sexual, patrimonial e moral”, destaca, afirmando a importância do acolhimento oferecido pela unidade que trabalha “a ressignificação de mundo juntamente com a equipe multidisciplinar”, disse.

O equipamento, localizado em Vilas do Atlântico, retomará a partir deste mês a programação de oficinas e atividades terapêuticas em grupos ofertando para as usuárias, como a biodança, dança do ventre, arteterapia, reiki e a utilização da fotografia como elemento de elevação da autoestima. “O papel do CRLG é salvar as vidas das mulheres, garantir que essa mulher se reestruture e comece a escrever uma nova história para a vida delas. Possibilitar que elas tenham acesso a qualificação e assim conquistar sua autonomia financeira e, claro, se libertar do jugo do agressor”, finalizou Sule.

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