NEGOCIAR E VOCÊ: TUDO A VER!

 NEGOCIAR E VOCÊ: TUDO A VER!

*Por Lizandra Colossi

Escrevo para você que me lê agora. É, para você mesmo: professora, administrador, faxineiro, dona de casa, advogado, médica… todos vocês NEGOCIAM todos os dias – sabia disso?

Negociar é intrínseco às relações humanas. Queremos que marido ou esposa façam o mercado de mês? Negociamos. Queremos que o(a) filho(a) faça o dever no horário combinado? Negociamos A família inventou um almoço na data de uma reunião importante? Negociamos. Queremos bater um baba, ou sair para conversar com as amigas e deixar o(a) parceira(o) aguardando em plena sexta? Negociamos...

Se assim é, por que NÃO NEGOCIAMOS OS NOSSOS CONFLITOS INTERPESSOAIS? Em outras, palavras, por que judicializamos a imensa maioria das controvérsias por que passamos?

Uma resposta talvez seja a falsa impressão de que só conseguimos resolver os nossos problemas com os outros via Estado Juiz. De que somente com a espada da Justiça nas mãos do magistrado o outro vai cumprir o que deveria ter feito espontaneamente. E se eu disser que HÁ OUTRO CAMINHO DE SOLUÇÃO, para além do processo?

Verdade seja dita: as pessoas cumprem as resoluções quando se sentem engajadas com elas. Voltando ao exemplo anterior: por que o marido ou a esposa farão o mercado de mês sem que o juiz o obrigue? Porque há alguma VANTAGEM em ele ou ela assim proceder: talvez a promessa de um cineminha mais tarde, talvez algum outro ajuste que o(a) alivie em outras tarefas, enfim… deixo à criatividade de vocês qual seja a vantagem. Mas, ela é real.

Para negociar CONFLITOS, AS PESSOAS PRECISAM VER VANTAGEM também. Tanto aquele que seria autor da ação, quanto o réu. Aqui você me pergunta; mas qual seria a vantagem para um devedor de quantia, para alguém que não entregou algo, ou que se nega a realizar determinada tarefa? Para cada caso, você precisa fazê-lo ENXERGAR a vantagem em NEGOCIAR COM VOCÊ, ao invés de ser RÉU EM PROCESSO JUDICIAL – só aí já é uma vantagem, pois eu desconheço, em 17 anos de advocacia, alguém que ficasse feliz em ser réu…

Para o devedor de quantia, negociar prazos e condições talvez seja MAIS INTERESSANTE do que ficar à mercê da decisão judicial, que vai condená-lo ao todo de vez, e que pode invadir seu patrimônio no caso de ausência de pagamento espontâneo depois da sentença; para alguém que reteve algo, talvez seja a entrega também modulada por prazo e local, por exemplo; e para quem não quer realizar algo, talvez seja ajustar uma indenização a fim de não precisar arcar com a obrigação de fazercontratualmente prevista – enfim, AS POSSIBILIDADES SÃO INÚMERAS, as quais até podem ser aventadas no processo judicial, MAS QUE SÃO DA ESSÊNCIA DA NEGOCIAÇÃO – o famoso PENSAR “FORA DA CAIXA” para resolver o conflito.

Assim, eu o convido para, na próxima situação conflitiva por que passar – e, tenha certeza, todos passamos – procurar seu(sua) advogado(a) e levantarem as possibilidades de uma NEGOCIAÇÃO do seu caso antes da propositura de ação judicial.

*Lizandra Colossi é Advogada Consensual e Colaborativa. Mediadora Privada. Professora e Palestrante. Instagram: @lizandracolossioficial

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