abril 24, 2019

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PT admite desgaste após operação contra Wagner, mas mantém ‘Plano B’

PT admite desgaste após operação contra Wagner, mas mantém ‘Plano B’

Lideranças petistas avaliam que a operação da Polícia Federal “constrange e atrapalha” os planos do PT de fazer de Jaques Wagner o plano B caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja impedido de disputar a Presidência da República por causa da Lei da Ficha Limpa. Dirigentes da legenda acreditam, porém, que o episódio não significará uma pá de cal para o ex-governador da Bahia porque o discurso de “perseguição ao partido”, já usado nas acusações contra o ex-presidente, também se aplica nesse caso e encontra eco em uma parcela significativa de eleitores.

Outra aposta é que os adversários terão dificuldade para tratar de escândalos de corrupção durante a campanha, já que denúncias têm atingido integrantes das mais diversas legendas.

Wagner é o preferido da maioria dos dirigentes e parlamentares do PT para entrar na disputa ao Planalto. O plano na legenda é levar a candidatura de Lula, mesmo com a condenação em segunda instância que o torna ficha-suja, até o prazo final para a troca do cabeça da chapa, a 20 dias da eleição. Se até lá os advogados não conseguirem uma liminar nos tribunais superiores, ocorreria a mudança de candidato.

O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad também é citado como plano B, mas seu nome enfrenta resistência porque alguns petistas consideram que ele não defende a legenda de forma enfática. Wagner, que governou a Bahia por dois mandatos, também tem um retrospecto eleitoral mais favorável do que o ex-prefeito, derrotado no primeiro turno ao tentar a releição em 2016. Apesar das preferências, deve caber a Lula indicar o seu substituto.

No mês passado, a Polícia Federal indiciou Haddad por caixa 2 eleitoral. De acordo com a investigação, a campanha de 2012 do ex-prefeito teve despesas com uma gráfica pagas por fora pela empreiteira UTC.

Para parlamentares do PT, há relação entre as investigações da PF contra Wagner e Haddad.

“Alerta aos petistas: não cogitem nomes como candidatos à Presidência da República porque a Policia Federal instaura inquérito e pede busca e apreensão na casa do sujeito. Já ocorreu com o Lula, com Haddad e agora com o Jaques Wagner”, escreveu o deputado Paulo Teixeira (SP), no Twitter.

A legenda adotou na segunda-feira o mesmo discurso usado para defender Lula, com ênfase de que o partido é alvo de uma perseguição por parte da polícia e do Judiciário para não voltar a comandar o país.

Para o líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta (RS), é “evidente” a ligação entre a operação de segunda-feira e o fato de Wagner aparecer como possível substituto de Lula.

— Na medida que você tem um nome que é colocado como candidato, há um tratamento como esse.

Pimenta comparou o caso de Wagner com o do senador Aécio Neves (PSDB-MG), flagrado no ano passado em conversa com o empresário Joesley Batista, da J&F, em que acerta o recebimento de R$ 2 milhões.

— O Jaques Wagner nunca se negou a colaborar com a Justiça, sempre se colocou à disposição. Qual seria o motivo para um pedido de prisão no caso dele enquanto um senador da República é gravado pedindo propina para um empresário? — disse o líder do PT.

Horas depois da operação da PF, o PT divulgou nota em que manifesta solidariedade ao ex-governador da Bahia. No comunicado, a legenda classifica a operação de busca e apreensão autorizada pela Justiça como “invasão da residência” do ex-governador da Bahia. “A escalada do arbítrio está diretamente relacionada ao crescimento da pré-candidatura do ex-presidente Lula nas pesquisas. Quanto mais Lula avança, mais tentam nos atingir com mentiras e operações midiáticas”, afirma a nota.

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