dezembro 16, 2018

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‘Racistas não são felizes”, diz especialista de Harvard

‘Racistas não são felizes”, diz especialista de Harvard

Aumento de crimes raciais, antissemitas ou homofóbicos nos Estados Unidos. Novas manifestações antissemitas na França. A islamofobia na Europa e na América do Norte. A propaganda contra refugiados em vários países europeus.

Esses fenômenos têm se manifestado mais nos últimos tempos, em uma onda de intolerância que muitos especialistas relacionam à crise econômica e social.

Mas há um fator a mais, essencial, que tem impulsionado alguns grupos a novamente adentrarem no pântano da intolerância, que pode ser um caminho sem volta: uma educação desapegada de valores humanos mais profundos.

Infelicidade e falta de educação

O professor israelense Tal Ben-Shahar, da Universidade de Harvard, vem decifrando esse fenômeno e desenvolveu um método denominado “A Ciência da Felicidade.”

Shahar estará em São Paulo na próxima terça-feira (20) para falar sobre o tema na sede da organização beneficente Na’amat Pioneiras.
Segundo ele afirmou ao R7, há uma relação entre o aumento da intolerância — contra os judeus e outros grupos — e o aumento da infelicidade das pessoas. Mas não é só isso que explica o recrudescimento das hostilidades.

“Em geral, as pessoas mais felizes são mais abertas aos outros e menos propensas a serem intolerantes”, diz Shahar.

“Racistas não são felizes. Existem muito poucos racistas felizes ou antissemitas felizes. No entanto, o principal método para lidar com o antissemitismo ou racismo não é aumentar a felicidade, mas através da educação e, se necessário, através da aplicação de padrões morais e éticos de conduta.”

Educação precisa valorizar o outro

Shahar: 'Principal método para lidar com racismo é a educação'

Shahar: ‘Principal método para lidar com racismo é a educação’

Reprodução / Facebook

Mas mesmo que governantes como Angela Merkel, chanceler da Alemanha, encabecem campanhas em prol dos direitos humanos, a resposta do governo e limitada, segundo Ben-Shahar.

Muitas vezes, como vem ocorrendo em vários países, ele pode até estimular o ódio, utilizando como instrumento a manutenção de um modelo educacional que não valorize o sentimento do outro.

“Os governos, em geral, não reagem ao aumento da intolerância ou infelicidade. A reação tem que ser na forma de educação, em direção à abertura e à felicidade. Por exemplo, as escolas ensinam escrita, leitura e matemática, mas não ensinam sobre relacionamentos, encontrar um senso de propósito na vida e como cultivar emoções prazerosas e lidar com emoções dolorosas.”

O professor ressalta que a intolerância é um fenômeno que sempre existiu e provavelmente não desaparecerá completamente. Mas que hoje e disseminada com maior rapidez em função do surgimento das redes sociais.

“Nem é preciso dizer que houve momentos e lugares onde a intolerância era muito mais difundida e muito mais perigosa. No entanto, hoje, como resultado das mídias sociais, é certamente mais fácil disseminar ideias venenosas, no entanto, é também mais fácil expor os fanáticos e os racistas.”

Ben-Shahar reconhece que a ciência desenvolvida por ele tem uma responsabilidade em lidar com essa situação concretamente. E necessita, neste momento turbulento, ser aplicada na prática às pessoas e ao mesmo tempo influenciar os governos.

“A chave para o êxito é a educação — escolas, universidades e eventos públicos. Os governos também devem medir a felicidade — além de medir o PIB (Produto Interno Bruto), por que não medir também o FIB (Felicidade Interna Bruta)?”

* O jornalista está em Jerusalém a convite do Ministério das Relações Exteriores de Israel.

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