maio 30, 2020

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Se ligue: Alimentos alcalinos não ajudam a prevenir ou tratar a Covid-19

Se ligue: Alimentos alcalinos não ajudam a prevenir ou tratar a Covid-19

Publicações que circulam nas redes sociais desinformam ao relacionar a ingestão de alimentos alcalinos (pH acima de 7) com a prevenção e o tratamento da Covid-19. Além de não existir o estudo citado pelo texto, atribuído a um “Virology Center” de Moscou, na Rússia, autoridades sanitárias de todo o mundo e especialistas consultados por Aos Fatos afirmam que não há evidências de que hábitos alimentares sejam eficazes contra a doença.

A escala do pH mede quão ácida ou básica é uma substância e varia de 0 a 14. A água pura tem pH 7 (neutro), acima disso, as substâncias são alcalinas; abaixo, são ácidas. No Brasil, desinformação sobre alimentos alcalinos circula no WhatsApp.

Não existem estudos que comprovem que a Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, é “imune a organismos com um PH maior que 5,5” e que, por essa razão, é necessário consumir alimentos alcalinos para aumentar o nível do PH. Até o momento, não existe um medicamento, alimento ou vacina que consegue prevenir o contágio do vírus ou curar a doença. Em seu site, o Ministério da Saúde classificou a informação como “fake news”.

O Potencial Hidrogeniônico (pH) é um índice que calcula a acidez ou a alcalinidade de um meio de 0 a 14. O pH considerado neutro é 7. Substâncias consideradas ácidas tem o pH inferior a 7, enquanto substâncias alcalinas, ou básicas, tem o pH superior a 7. Quanto mais distante do 7, mais ácida ou mais alcalina é a substância. 

O químico e professor da Unicamp Gildo Girotto explica, em texto publicado no site da instituição, que não existe uma pesquisa que mostre quais valores de pH são suportados pelo novo coronavírus e nem estudos que mostrem como frutas cítricas – como as citadas no post do Facebook – podem afetar no combate do vírus na pele. A Organização Mundial de Saúde (OMS) não inclui em suas recomendações o consumo de nenhum desses alimentos ou outros.

Para dar credibilidade, o texto que circula pelas redes afirma que a informação é do Virology Center, em Moscou, na Rússia. Não foi possível encontrar nenhuma instituição com esse nome. Também não foi possível encontrar um estudo relacionando o novo coronavírus com o pH de determinados alimentos.  

Vale lembrar ainda que o consumo de alimentos mais ácidos não deixa o seu sangue mais ácido, como diz o post que circula pelo Facebook. Segundo Girotto, diferentes partes do corpo humano tem diferentes pH, o que cria um equilíbrio dentro do organismo. “Então, por mais  que você consuma grande quantidade de limão, seu sangue não ficará mais ácido. Na pior das hipóteses você terá uma boa azia causada pelo excesso momentâneo da sua acidez estomacal”, explica o professor da Unicamp.

O texto do Facebook erra ainda ao citar o pH de alguns alimentos supostamente alcalinos. Nenhum dos vegetais citados no post são substâncias de fato alcalinas. Na verdade, a grande maioria dos alimentos, em geral, tem pH inferior a 7. O abacate, por exemplo, tem o pH de cerca de 6,5 e não 15,6 como indica o texto. Já o limão, uma fruta particularmente ácida, tem o pH de cerca de 2,2 e não 9,9. O pH do abacaxi oscila entre 3,4 e 4,3, e o da laranja depende da espécie: pode variar de 3 a 5,5. A manga também varia de acordo com o tipo, entre 3,3 e 4,6. Por fim, o pH do alho é de cerca de 5,8.

Essa informação circulou nas redes sociais de outros países e foi checado pelo Snopes e o Factly (nos Estados Unidos), o Chequeado (na Argentina), o Africa Check ( na África), o Maldito Bulo (na Espanha), Animal Político (no México) entre outras iniciativas. Todas as checagens produzidas pela coalizão da International Fact-Checking Network (IFCN) podem ser consultadas aqui.

Portanto, é FAKE NEWS que alimentos com ‘pH mais alcalino’ ajudam no combate à Covid-19.

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