outubro 30, 2020

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Tudo em casa: campeões de votos na Bahia são pai e filho; veja perfis

Tudo em casa: campeões de votos na Bahia são pai e filho; veja perfis

Pastor Sargento Isidório foi deputado federal mais votado; filho teve mais votos para Assembleia (Foto: Divulgação)

De pai pra filho: essa é a explicação mais rápida e menos complicada para a acachapante vitória de João Isidório (Avante), estreante em eleições, na disputa para a Assembleia Legislativa da Bahia, no último domingo (7). Foram impressionantes 110.540 votos, quase 10 mil a mais que o segundo colocado. Primeiro lugar para ele e também para seu pai, Pastor Sargento Isidório (Avante), eleito para a Câmara dos Deputados com 323.264 votos – uma folga de 43% em relação ao segundo colocado.

Se o topo nas urnas virou serventia na casa dos Isidórios, o sucesso em família é compartilhado em outros clãs políticos do estado. Este ano, pelo menos 23 integrantes de famílias tradicionais das urnas concorreram a algum cargo na Bahia. Desse total, só sete não foram eleitos.

Seguindo o exemplo “dos Isidórios”, Diego Coronel (PSD) foi eleito deputado estadual ao lado de seu pai, Angelo Coronel (PSD), que assumirá uma cadeira no Senado Federal em janeiro de 2019. Diego foi o terceiro mais bem colocado com 100.274 votos e Coronel foi o segundo senador mais bem votado, atrás apenas de Jaques Wagner (PT).

Atrás de “Isidório pai”, Otto Alencar Filho foi o segundo candidato a deputado federal mais bem votado no estado com 185.428 votos no estado. Ele é filho do senador Otto Alencar, que foi eleito ao Senado nas eleições de 2014 e cumprirá esse mandato até 2022. Além do filho, o irmão do senador Otto, Eduardo Alencar, ex-prefeito de Simões Filho, foi eleito deputado estadual.

Saindo da polarização de pai e filho, Marcelo Nilo (PSB) que foi eleito deputado federal, também elegeu seu genro Marcelinho Veiga (PSB) para deputado estadual. 

Para o professor de Ciências Políticas da FTC, Jurandir Sá Barreto, a eleição dos filhos representa a busca da população pelo novo.

“Estamos vendo um fenômeno que são os filhos dos políticos tradicionais conseguindo se eleger. Há uma aposta, já que eles não querem votar nos pais, as pessoas têm as esperança que eles sejam uma saída nova”, observa Barreto.

O professor explicou que muitos políticos tradicionais ficaram de fora dessa eleição – como Lúcio Vieira Lima (MDB), Antonio Imbassahy (PSDB), Jutahy Magalhães (PSDB) e José Carlos Aleluia (DEM). “Isso representa o desprezo que o povo está tendo dos velhos políticos, pela política tradicional. Isso faz com que eles apostem no novo. Há um desprezo do povo pela representatividade política antiga, que vem se repetindo há décadas. A eleição do novo é a resposta do povo aos políticos promocionais”, opinou.

O professor defende, no entanto, que o eleitorado “deveria pensar mais”. “É preciso ler e entender as propostas. Não pode ser o novo pelo novo. Até que ponto eleger filho de velhos políticos é renovação”, questionou. 

Isidórios
Tanto Pastor Sargento Isidório como seu filho atribuem a vitória ao trabalho realizado pela família na Fundação Doutor Jesus, em Candeias, organização sem fins lucrativos que é voltada para o “tratamento e acolhimento” de dependentes químicos. “Nós não esperávamos uma votação tão expressiva assim, mas com certeza foi Deus. O povo reconheceu o meu trabalho, que é a minha obrigação por gratidão a Deus que me tirou das drogas, do álcool e da marginalidade”, afirmou Isidório pai.

“Confesso que achei que João viria com 29 mil, 35 mil votos. Agora ele passar de 80 mil e chegar a 110 mil votos é muita gratidão. Eu tenho que cantar. Muita gente votou com a gente, evangélico, católico, até gays, lésbicas e pessoas com religião de matriz africana votaram comigo por causa da fé no meu trabalho”, creditou.

Isidório afirmou que se o filho não seguir seus passos ele terá apenas um mandato. “Se ele negar a ferramenta do pai e não seguir os passos da honra e dignidade que eu tento seguir, ele será deputado de um mandato só. Ele deve reapresentar alguns projetos meus feitos na área da saúde, educação e segurança, a não ser que ele tenha sido eleito por ele mesmo”, avisou. 

“Se ele entender que foi eleito por Deus e pela mão do povo e do meu trabalho, ele vai continuar lutando pelos dependentes químicos. O presente que Deus deu a ele é muito grande para ele trocar por qualquer coisa”, concluiu Isidório. 

O filho afirmou que seguirá os passos do pai e reapresentará projetos de lei importantes mas que ele tem trabalho independente porque agora é “empregado do povo”.

“O filho sempre aprende com o pai; quanto mais ele que já teve três mandatos na Assembeia. Então, eu contarei com essa experiência. Se for preciso, nós iremos reapresentar projetos que não foram aprovados e criaremos projetos novos para continuar legislando para o que acreditamos”, garantiu.

Alencar
O senador Otto Alencar (PSD) comemorou a vitória do filho e atribuiu o resultado ao trabalho já desenvolvido por ele anteriormente. Ele lembra, também, da representatividade do PSD no interior, com as prefeituras, que auxiliaram a elegê-lo.

“Meu pai não era um político expressivo, foi eleito vereador mas não gostou e saiu. Eu comecei, cresci, cheguei a sair da política e voltei. Meu irmão foi prefeito de Simões Filhos quatro vezes e começou na vida pública por iniciativa própria. O meu filho está entrando agora, na mesma idade que eu entrei. Muitas lideranças do nosso partido apoiaram ele. A votação dele nos surpreendeu, mas ele recebeu apoio de muitos prefeitos da Bahia, o PSD tem 92”, explicou.

Otto filho e Otto pai (Foto: Divulgação)

Otto Alencar Filho afirmou que seu trabalho na DesenBahia auxiliou em seu resultado e serviu para que ele tivesse um panorama da vida pública. “A minha vida inteira eu só trabalhei na iniciativa privada como empresário. O PSD teve a possibilidade de fazer órgãos importantes como a Seinfra (Secretaria de Infraestrutura do Estado da Bahia) e a DesenBahia (Agência de Fomento do Estado da Bahia). Como eles precisavam de alguém que tinha experiência eu resolvi aceitar e comecei a trabalhar na DesenBahia”, explicou o deputado federal eleito. 

Com relação à influência no mandato do filho, Otto afirmou que a política é uma “vocação natural dele” e que não irá cercear o direito dele exercer seu mandato com seus ideais. “Ele tem muita personalidade, tem convicções próprias e terá seu próprio brilho. Não vou colocar a lanterna para ele brilhar, ele vai brilhar sozinho com seu talento”, defendeu.

Otto Filho diz gostar “muito de ouvir a voz dos mais experientes”, assumindo, assim, que o pai terá influências em sua gestão. “É de bom grado ouvir a orientação do Senador e é uma coisa natural. Eu tenho a intenção de fazer a mudança que o país precisa, tenho as minhas ideologias e quero colocá-las em prática”, ressaltou.

Nilo
Marcelo Nilo atribui o resultado do genro à preparação prévia dele. Marcelinho Veiga (PSB) foi presidente da Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) e o acompanha nas campanhas desde 2008. “Ele foi um grande diretor da Embasa e é muito carismático e muito preparado. Nos municípios que ele visitou, ele conseguiu uma grande votação, todas acima da expectativa. O mérito da vitória é dele eu apenas o orientava. Ser jovem, uma pessoa com vida limpa e carismática”, opinou Nilo.

“Eu trabalho com ele há 10 anos, sou advogado. Então, são 10 anos construindo isso com lideranças em geral. Essa experiência tornou mais fácil para mim para chegar na caminhada. Então a minha candidatura não foi de paraquedas. Em 2014 nós já pensamos em lançar mas nao deu certo então estamos trabalhando desde então para construir a minha candidatura”, contou Veiga.

Marcelinho Veiga e o sogro, Marcelo Nilo (Foto: Divulgação)

Tanto genro quanto sogro assumem a possibilidade de uma futura orientação no mandato, mas ressaltam a individualidade do novo político. “Você se espelha na pessoa que você acredita. Ele conviveu comigo 10 anos viajando, assessorando, foi conquistando seu espaço e a candidatura dele foi uma opção do nosso grupo político. Eu vou sempre orientar com a minha experiência, mas o mandato é exclusivamente dele. Se ele me pedir ajuda, sugestão, estarei aqui”, afirmou Nilo.

Marcelinho Veiga afirma que a influência de Nilo é a do aprendizado. “A influência que ele tem a mim é que eu aprendi com ele. Vai ser um mandato de muito trabalho, quero mostrar o que tenho para construir”, disse.

Coronel
O filho do agora senador Angelo Coronel (PSD), Diego Coronel (PSD), já foi prefeito de Coração de Maria e já havia disputado outras duas eleições. Para ele, o apoio do governador Rui Costa (PT) foi de essencial importância para sua vitória.

“Faz parte do todo. Somos um projeto, um time político em que o governador encabeçou muito forte. Isso influenciou não só para mim, como para todos os candidatos. Quem disputou na coligação do governador foi beneficiado”, afirmou. 

Diego ainda afirmou que é uma “pessoa independente” e que já possui “experiências”. “Já fui gestor de municípios, sei as dificuldades, mas não posso deixar de recorrer à experiência do meu pai, que foi prefeito e teve seis mandatos como deputado estadual. Ele é a minha referência e a minha liderança, mas eu estou preparado”, sustentou. 

O CORREIO tentou contato com o presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Angelo Coronel, mas não obteve respostas até o fechamento desta matéria.

Famílias
O deputado estadual Leur Lomanto Jr (DEM) foi eleito deputado federal neste ano. Ele é neto de Antonio Lomanto Júnior, que passou por todos os cargos eletivos possíveis, com exceção de presidente da República.

Além dele, o deputado federal Uldurico Pinto Jr (PPL) foi reeleito para deputado federal. Uldurico faz parte do clã dos Pinto, que detinha cidades do Extremo-Sul, como Porto Seguro. Atualmente, apenas Uldurico tem cargo eletivo. 

Adolfo Menezes (PSD), irmão da prefeita de Campo Formoso, Rose Menezes (PSD) foi eleito deputado estadual. Elmar Nascimento (DEM), rival dos Menezes na cidade, foi reeleito deputado federal. Elmar faz parte da família Nascimento, de Campo Formoso. Seu irmão, Elmo Nascimento (DEM) não foi candidato nesta eleição.

Rogerinho Andrade (PSD), de apenas 21 anos, foi um dos 63 deputados estaduais eleitos pela Bahia nestas eleições. O pai dele, Rogério Andrade, é ex-deputado estadual e atual prefeito de Santo Antônio de Jesus. O avô, Aloísio Andrade, já foi prefeito de Elísio Medrado.

Mário Negromonte Jr (PP) foi reeleito deputado federal na Bahia. Ele é filho do ex-deputado federal e ex-ministro das Cidades Mário Negromonte e da atual prefeita do município de Glória, na Bahia, Ena Vilma Negromonte.

Outro lado
A sorte não foi tão grande com a família Moraes. Marcell Moraes (PSDB) foi eleito deputado estadual pela Bahia. Sua irmã, a vereadora Marcelle Moraes (PV), não teve votos suficientes para conseguir uma cadeira na Câmara dos Deputados e seguirá na Câmara dos Vereadores.

Lucio Vieira Lima (MDB) também não conseguiu se eleger deputado federal. Ele era a esperança para que a família Vieira Lima mantivesse poder político no estado. 

A história também não foi tão feliz com Zé das Virgens (PCdoB), que integra a família Dourado, de Irecê. Ele foi candidato a deputado estadual e não foi eleito. Zé foi o último de sua família a comandar a prefeitura de Irecê, em 2012, quando foi derrotado por Luizinho Sobral (Podemos). Luizinho Sobral foi candidato e também não conseguiu uma cadeira na Assembleia Legislativa da Bahia. 

Os irmãos Sérgio Carneiro (PV) e João Henrique (PRTB), mesmo seguindo rumos diferentes na política, amargaram derrotas simultaneamente nesta eleição. Carneiro foi candidato à deputado federal e João Henrique, ao governo do estado. Ambos foram derrotados nas urnas.

O deputado estadual Reinaldo Braga (PSL) tentou reeleição neste ano, mas perdeu a cadeira na Câmara dos Deputados. Seu filho, Reinaldo Braga Filho (MDB) é prefeito de Xique-Xique.

Filha dos prefeitos de Eunápolis e Porto Seguro, Robério e Cláudia Oliveira, Larissa Oliveira (PSD) não conseguiu se eleger deputada estadual.

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