setembro 23, 2019

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Engajamento de Bolsonaro em manifestações acirra crise com o Congresso

Engajamento de Bolsonaro em manifestações acirra crise com o Congresso

A exaltação feita pelo presidente Jair Bolsonaro das manifestações de rua deste domingo (26) elevou a crise com o Congresso, onde o governo mantém dificuldades para consolidar uma base e de quem depende para avançar pautas como a reforma da Previdência e o pacote anticrime.

Nesta semana, Bolsonaro também precisa da aprovação pelo Senado da medida provisória que reduz o número de ministérios do governo. Após embates, ela passou na Câmara, mas expira em 3 de junho se não passar pela outra Casa até lá. 

Depois de desistir de ir aos atos sob a justificativa de não associar a imagem do governo às passeatas, o presidente passou o dia no Twitter compartilhando vídeos e mandando recados para parlamentares, voltando a associá-los à velha política. 

Em um dos vídeos compartilhados, um manifestante defendia a CPI da Lava Toga, cujo propósito é investigar ministros de cortes superiores.

O gesto de Bolsonaro foi considerado equivocado pelo chamado núcleo moderado do Palácio do Planalto.

As falas do presidente também irritaram congressistas, alvos dos atos nas ruas, que mais uma vez se sentiram jogados às “feras” –entre eles o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), peça-chave na tramitação da reforma da Previdência.

À noite, em entrevista à TV Record, Bolsonaro fez aceno ao Congresso ao pregar diálogo, mas disse que a palavra centrão (grupo informal com cerca de 200 deputados de partidos como PP, DEM, PRB, MDB e Solidariedade) virou um “palavrão”, que parte considerável dos parlamentares não quer se rotulada ao bloco “clientelista” e os cobrou para que se desvinculem.

Nas palavras de um assessor presidencial, se um dos objetivos das manifestações era pressionar por uma aprovação célere do regime de mudança das aposentadorias, o efeito prático pode ser o oposto: o atraso como uma forma de retaliação. 

Maia e aliados do centrão passaram o domingo em avaliações internas e dizem que o bolsonarismo quer fazer parecer nas redes sociais que os atos foram bem maiores do que a realidade.

Em reuniões na tarde deste domingo, Maia usou dados, sem citar fonte, segundo os quais os protestos contra bloqueio de verbas na educação, no dia 15, foram três vezes maiores. Apesar disso, as manifestações pró-governo tiveram oito vezes mais compartilhamento nas redes sociais, sugerindo o uso de robôs.

“Eu achei pequeno e o Rodrigo [Maia] também achou pequeno [o protesto]. Não muda nada. Vamos continuar votando pelo Brasil, desconhecendo que o governo existe”, disse Paulinho da Força (SD-SP), um dos líderes do centrão.

Senadores também se incomodaram com as manifestações deBolsonaro.

“O que ele [o presidente] está fazendo é chamando para o confronto. Isso só acirra os ânimos. É um governo que não tem projeto e não tem proposta”, afirmou o senador Otto Alencar (BA), líder do PSD, a segunda maior bancada.

“Ele ainda participa de um culto e fala que quem foi pra rua é contra a velha política. A manutenção do ministro do Turismo não é a velha politica? Por que ainda não demitiu o ministro do Turismo?”, acrescentou, em referências ao esquema revelado pela Folha de candidaturas de laranjas do PSL em Minas Gerais, patrocinadas por Marcelo Álvaro Antônio (Turismo).

Durante um culto evangélico que participou pela manhã, Bolsonaro disse ser o único eleito na história do país que “está cumprindo o que prometeu durante a campanha”.

“É uma manifestação […] com respeito às leis e instituições. Mas com um firme propósito de dar um recado àqueles que teimam com velhas práticas não deixar que o povo se liberte”, afirmou.

Em Brasília, ao chegar do Rio de volta para o Palácio do Alvorada, o presidente manteve o tom.” Pergunte para o povo”, respondeu ao ser questionado se a declaração feita foi uma crítica indireta à Câmara dos Deputados.

Em linha oposta, Bolsonaro ainda usou as redes sociais no final da tarde para se posicionar contra reivindicação pelo fechamento do Congresso Nacional e do STF (Supremo Tribunal Federal).

“Há alguns dias atrás, fui claro ao dizer que quem estivesse pedindo o fechamento do Congresso ou STF hoje estaria na manifestação errada”, escreveu Bolsonaro.

Na mensagem, ele ressaltou que a população mostrou que essas pautas não foram preponderantes nas manifestações. “Sua grande maioria foi às ruas com pautas legítimas e democráticas, mas há quem ainda insista em distorcer os fatos”, acrescentou.

O ministro da Justiça, Sergio Moro, um dos personagens mais exaltados por manifestantes neste domingo, publicou em suas redes sociais, no início da noite, texto em que diz que os atos foram uma “festa da democracia”, sem “pautas autoritárias”. 

“Povo manifestando-se em apoio ao Pr Bolsonaro, Nova Previdência e ao Pacote anticrime. Sem pautas autoritárias. Povo na rua é democracia. Com povo e Congresso, avançaremos. Gratidão”, escreveu o ministro.

No Congresso, o centrão demonstrou sua força na última semana, ao colocar em risco a medida provisória da reforma administrativa de Bolsonaro que estabeleceu a redução de 29 para 22 ministérios.

O bloco acabou aprovando a MP na Câmara, mas tirando da pasta de Moro e passando para a da Economia as atribuições do Coaf, órgão que relata transações financeiras suspeitas e é considerado pelo ministro como estratégico no combate à corrupção.

O texto deve ser votado nesta semana no Senado –se não passar até 3 de junho, ele expira, levando à retomada da estrutura do governo vigente na gestão Michel Temer (MDB).

DOMINGO

Com a direita rachada, as manifestações pró-governo Bolsonaro realizadas neste domingo (26) pelo país exaltaram projetos encampados pelos ministros Sergio Moro (Justiça) e Paulo Guedes (Economia) e concentraram críticas não só no centrão, alvo já esperado, como no presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Ao levar milhares de pessoas às ruas em ao menos 140 cidades, de todas as unidades da federação, os atos superaram a expectativa de aliados do governo em meio ao racha de grupos de direita e ao temor de fracasso devido ao desgaste popular de Bolsonaro nos primeiros meses de mandato. 

Nos principais pontos de encontro, como a avenida Paulista, em São Paulo, os participantes ficaram espalhados por quarteirões, e não concentrados, sendo possível se deslocar sem dificuldade.

O alcance dos atos de modo geral, porém, não foi muito diferente dos protestos do último dia 15 contra bloqueios de recursos da educação pelo governo Bolsonaro, quando houve mobilizações em ao menos 170 cidades. 

As reivindicações pela reforma da Previdência, encampada pelo ministro Paulo Guedes, e do pacote anticrime, a cargo de Moro, constavam da pauta desde que os atos foram gestados, em abril.

Alguns grupos, porém, também enfatizavam mensagens a favor do fechamento do STF (Supremo Tribunal Federal) e do Congresso —temas que afastaram parte dos grupos de direita, como MBL (Movimento Brasil Livre) e Vem Pra Rua, e acabaram em segundo plano nos atos deste domingo.

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