Pouco antes de caminhar pelas ruas da Liberdade, em Salvador, nesta sexta-feira (28), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que pretende transformar a campanha nos estados em um debate sobre o futuro do Brasil. Ao lado do governador Jerônimo Rodrigues, do candidato a vice-governador Geraldinho Jr, e dos candidatos ao Senado Rui Costa e Jaques Wagner, Lula disse que quer aproveitar as viagens pelo país para discutir com candidatos a governador e ao Senado uma nova etapa do desenvolvimento nacional, com educação, tecnologia, industrialização e políticas para a população idosa no centro das prioridades.
“Agora eu quero discutir com os governadores o futuro desse país”, afirmou. Para Lula, o próximo salto brasileiro dependerá da capacidade de produzir conhecimento e dominar tecnologias estratégicas. Ele citou inteligência artificial, transição energética e minerais de terras raras como áreas nas quais o Brasil precisa deixar de ser apenas fornecedor de matéria-prima para produzir bens de maior valor agregado.
A educação apareceu como peça central desse projeto. Lula defendeu a ampliação da formação científica e tecnológica e afirmou que o país precisará de jovens preparados para trabalhar com inteligência artificial, novas tecnologias e transformação industrial. “Na hora que a gente dominar a tecnologia, a gente não vai mais exportar só soja e milho. A gente vai exportar conhecimento”, disse.
Ao falar da Bahia, o presidente destacou a expansão das universidades e programas de permanência estudantil, especialmente o Pé-de-Meia. Lula relacionou o investimento na juventude também ao enfrentamento da violência e do crime organizado, ao afirmar que manter o adolescente na escola reduz sua vulnerabilidade ao recrutamento pelo tráfico. Para ele, investir alguns milhares de reais para garantir a permanência de um estudante no ensino médio custa muito menos ao Estado do que perder esse jovem para a criminalidade.
Outra prioridade apresentada por Lula foi a construção de uma política nacional voltada aos idosos. O presidente chamou atenção para o envelhecimento acelerado da população brasileira e para a situação de pessoas que, mesmo aposentadas, vivem isoladas, sem espaços públicos de convivência e atividades.
A proposta, segundo ele, é criar centros de referência espalhados pelo país, onde idosos possam praticar atividades físicas, estudar, assistir a filmes, dançar, nadar, encontrar amigos e participar da vida comunitária. “A população brasileira está ficando idosa. Tem muita gente abandonada, muita gente que às vezes não tem aonde ir”, afirmou. “É obrigação do Estado criar um programa para garantir que o idoso, além de receber sua aposentadoria adequadamente, tenha um centro de referência.”
Lula também defendeu que o debate eleitoral seja deslocado para propostas e resultados. Disse que pretende apresentar, em cada estado, o que seu governo realizou e confrontar projetos para os próximos anos. Citou emprego, crescimento da massa salarial, habitação, saúde e investimentos públicos como parte do balanço que pretende levar à população.
A escolha da Liberdade para a caminhada também foi tratada como símbolo político. Lula lembrou que atos presidenciais normalmente se concentram nas áreas centrais das capitais e destacou a decisão de percorrer um dos bairros populares mais tradicionais e populosos de Salvador. “É a primeira vez que eu venho à Bahia e, ao invés de fazer um ato no centro da cidade, nós vamos fazer uma caminhada no bairro da Liberdade”, afirmou.






