A celebração do voto feminino no Brasil marca um momento histórico na luta das mulheres pelos direitos políticos e pela igualdade de gênero. Essa conquista foi resultado de um longo processo de mobilização social, debates públicos, manifestações e transformações culturais.
No início do século XX, o país vivia sob forte influência de uma sociedade patriarcal, na qual as mulheres eram vistas apenas como responsáveis pelo lar e excluídas da vida política. A partir de 1910, o movimento feminista brasileiro começou a ganhar força, impulsionado por mulheres que lutavam pelo direito à educação, ao trabalho e à participação política.
Inspiradas por movimentos semelhantes na Inglaterra e nos Estados Unidos, essas mulheres organizaram protestos, escreveram em jornais e pressionaram as autoridades para que o direito ao voto fosse reconhecido. Esse esforço culminou, em 1932, com a promulgação do Código Eleitoral, que permitiu o alistamento feminino e representou um avanço decisivo para a democracia brasileira.
Naquele primeiro momento, o voto feminino não era obrigatório. Um marco simbólico dessa trajetória foi Celina Guimarães Viana, que em 1927 conseguiu se registrar como eleitora em Mossoró-RN, tornando-se referência na luta pelo sufrágio feminino.
Hoje, as mulheres são maioria do eleitorado brasileiro, representando cerca de 52% dos votantes. No entanto, ainda são minoria nos espaços de poder: ocupam aproximadamente 18% das cadeiras no Congresso Nacional e menos de 20% dos cargos eletivos no país.
A conquista do voto feminino significou o reconhecimento da mulher como cidadã plena, capaz de participar das decisões que definem os rumos do país e abriu caminho para sua atuação nos espaços políticos.
Celebrar essa data é reconhecer a coragem das mulheres que enfrentaram preconceitos para garantir um direito fundamental e reafirmar o compromisso com a democracia, a igualdade e a participação feminina na construção de uma sociedade mais justa e inclusiva.
Texto por Dra. Célia Manzoni @celia_manzoni – membro da CMAPDM






