Uma história de renúncia, coragem e reencontro com os próprios sonhos colocou Lauro de Freitas em destaque no cenário educacional da Bahia. Aos 37 anos, Maria Elisângela Pena Forte do Sacramento, estudante da Educação de Jovens e Adultos (EJA), está entre as finalistas do Concurso Cultural Jovem Jornalista (CCJJ) 2026.
Aluna da Escola Municipal Itamar Oliveira Rodrigues, Maria Elisângela representa a rede municipal na categoria Crônica com o texto “A escolha de estudar que eu não tive”, produzido sob a orientação da professora Najla Meiruce Silva Carneiro.
Promovido pelo Grupo A TARDE, o concurso recebeu mais de mil inscrições de estudantes das redes estadual e municipais da Bahia. Com o tema “De onde eu venho, escrevo: histórias e leituras do meu lugar no mundo”, a iniciativa incentiva os participantes a transformarem suas vivências em produções jornalísticas.
A inspiração de Maria Elisângela nasceu da própria história. Aos 16 anos, ela precisou deixar a escola para trabalhar e ajudar a mãe a cuidar das irmãs. As responsabilidades interromperam os estudos, mas não apagaram o desejo de voltar à sala de aula e construir um futuro diferente.
Por meio da crônica, a estudante revisitou lembranças, falou sobre oportunidades que não teve na juventude e mostrou que nunca é tarde para retomar um sonho.
“O tema ‘A escolha de estudar que eu não tive’ conta um pouco de mim, e eu espero que, por meio da minha história, outras pessoas reflitam e entendam que o estudo é muito importante para a nossa vida. Acredito que ainda vou realizar o meu sonho de me tornar engenheira civil por meio dos estudos e dar muito orgulho à minha família”, declarou.
A conquista também evidencia a importância do trabalho desenvolvido pela professora Najla Meiruce, que acompanhou todo o processo de elaboração e aprimoramento do texto. Com experiência na EJA, a educadora promove atividades de leitura, letramento e produção textual a partir das histórias e da realidade dos próprios alunos.
“Buscamos resgatar as vivências dos estudantes. Eles começaram a escrever naturalmente e, depois, trabalhamos esses textos, analisando a estrutura, a gramática e, principalmente, promovendo uma reflexão sobre o tema. Todo esse processo foi construído em sala de aula”, explicou Najla.
A classificação de Maria Elisângela reforça a importância da EJA como instrumento de acolhimento, transformação e reconstrução de trajetórias. Mais do que disputar um prêmio, ela leva para a final a voz de milhares de brasileiros que precisaram interromper os estudos, mas nunca desistiram de aprender.
O resultado será anunciado no dia 30 de setembro, durante cerimônia no Teatro Sesc Casa do Comércio, em Salvador. Além de Crônica, destinada aos estudantes da EJA, o concurso contempla as categorias Tirinhas, Videorreportagem e Artigo de Opinião.






