“Rede estadual está sobrecarregada”, diz Adolpho Loyola ao explicar fila da regulação na Bahia

Adolpho Loyola afirmou que a concentração dos atendimentos de média e alta complexidade na rede estadual é um dos principais fatores responsáveis pela fila da regulação na Bahia. Em entrevista à Rádio CBN, ele destacou os investimentos realizados pelo governo Jerônimo Rodrigues na ampliação dos serviços de saúde e apontou os desafios enfrentados pelo sistema.

Segundo Loyola, o Governo da Bahia destina à saúde quase 15% da Receita Corrente Líquida. Durante a atual gestão, conforme declarou, foram entregues 15 hospitais e outras oito unidades permanecem em construção.

A estratégia de interiorização também inclui 27 policlínicas regionais. De acordo com Loyola, essas unidades ajudam a identificar doenças e iniciar tratamentos antes que os pacientes precisem recorrer aos hospitais de maior complexidade.

Ele lembrou que, anteriormente, grande parte dos atendimentos especializados ficava concentrada em Salvador. Com a expansão da estrutura para o interior, houve uma redução na necessidade de deslocamento de pacientes até a capital.

Regulação reúne até 2,5 mil pacientes por dia

Apesar dos investimentos, Loyola reconheceu que a fila da regulação continua sendo um dos principais desafios da saúde pública baiana. Segundo ele, entre 1,8 mil e 2,5 mil pessoas podem aguardar diariamente por transferência ou atendimento especializado.

Na avaliação de Loyola, o envelhecimento da população e o elevado número de acidentes com motocicletas estão entre os fatores que aumentam a procura por procedimentos de média e alta complexidade. A ortopedia aparece como uma das áreas mais pressionadas.

Como resposta, ele destacou a implantação do Hospital Ortopédico da Bahia, administrado pelo Hospital Israelita Albert Einstein e destinado exclusivamente aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). A unidade realiza cirurgias e busca reduzir a espera por procedimentos ortopédicos.

Loyola aponta pressão sobre unidades estaduais em Salvador

Ao abordar a situação da capital, Adolpho Loyola afirmou que aproximadamente 80% dos atendimentos de média e alta complexidade realizados em Salvador seriam absorvidos pelo Governo da Bahia.

Entre as unidades estaduais citadas estão o Hospital Roberto Santos, o Hospital Geral do Estado (HGE), o Hospital Ortopédico, o Hospital do Subúrbio e o Hospital da Mulher, além de UPAs e centros médicos mantidos pelo Estado.

Loyola comparou essa estrutura com a rede administrada pela Prefeitura de Salvador, que possui dois hospitais municipais. Ele mencionou ainda o Hospital Municipal de Cajazeiras, com 220 leitos, e ressaltou que a unidade funciona com acesso regulado, sem atendimento por demanda espontânea.

Segundo Loyola, o Governo do Estado e a Prefeitura recebem, cada um, mais de R$ 1 bilhão por ano em recursos federais destinados à saúde. Para ele, é necessário considerar a divisão das responsabilidades e ampliar a participação da rede municipal para diminuir a pressão sobre as unidades estaduais e enfrentar a fila da regulação.