Sem a máquina, Elinaldo mostra força com o Time Azul e reacende disputa política em Camaçari

Artigo de opinião — Por Anderson Santos

Mesmo sem comandar a Prefeitura de Camaçari e sem contar com o apoio dos governos estadual e federal, Elinaldo Araújo voltou a mobilizar sua base e colocou novamente a polarização política no centro do debate municipal.

A presença do chamado Time Azul nos desfiles cívicos de setembro demonstrou que o grupo de oposição permanece organizado e disposto a disputar cada espaço político da cidade. Nos últimos dias, apoiadores de Elinaldo foram às ruas em localidades como Gleba E, Parafuso, Monte Gordo e Vila de Abrantes.

Esse movimento merece atenção.

De um lado está o grupo que atualmente administra Camaçari e mantém alianças com os governos da Bahia e do Brasil. Do outro, Elinaldo tenta provar que sua força política não depende exclusivamente da estrutura da Prefeitura.

A mobilização vai além da disputa eleitoral de 2026. O que está em jogo também é a liderança política do município e a capacidade de cada grupo de se manter presente nos bairros, na sede e na orla.

Nesse cenário, ACM Neto surge como uma peça importante. A aliança entre o ex-prefeito de Salvador e Elinaldo tem sido reforçada publicamente. Durante um evento realizado em Santo Amaro, no fim de agosto, Neto classificou Elinaldo como um de seus “amigos de verdade” e declarou apoio à sua candidatura a deputado estadual.

Essa proximidade abre uma discussão que ultrapassa a eleição atual: como ficará a correlação de forças em Camaçari caso ACM Neto seja eleito governador da Bahia?

Ainda é cedo para antecipar o resultado das urnas ou definir o cenário de 2028. No entanto, os movimentos de 2026 já provocam uma reorganização das forças políticas locais.

Elinaldo busca transformar sua candidatura em uma demonstração de liderança e capacidade de mobilização, mesmo longe do comando do Executivo municipal. O Time Azul funciona como símbolo dessa identidade política e como ferramenta para manter o grupo presente em diferentes regiões da cidade.

A estratégia não está concentrada apenas na sede. A presença dos apoiadores em várias localidades reforça a tentativa de preservar uma base territorial ampla e manter vivo o vínculo construído ao longo dos últimos anos.

É justamente nesse ponto que 2026 começa a se conectar com 2028.

Camaçari tem grande importância econômica, eleitoral e política na Bahia. Por isso, qualquer mudança na relação entre o poder municipal e o Governo do Estado poderá produzir efeitos diretos sobre a disputa local.

O Time Azul não representa apenas uma cor de campanha. É a expressão de um grupo que tenta sobreviver politicamente fora da máquina municipal. Do outro lado, o campo governista dispõe da Prefeitura, de importantes alianças e de capacidade própria de mobilização.

O resultado é a retomada de uma disputa cada vez mais visível, com azul e vermelho ocupando novamente posições opostas no tabuleiro político de Camaçari.

A eleição de 2026 será o próximo grande teste. Porém, independentemente do resultado, algo já ficou evidente: a disputa pela liderança política de Camaçari não terminou com a mudança no comando da Prefeitura.

Ela apenas entrou em uma nova fase — e 2028 já começa a aparecer no horizonte.